
Em ato de campanha, Flávio Bolsonaro afirmou que o STF atua como agência política e prometeu indicar ministros comprometidos com a Constituição se for eleito.
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) intensificou as críticas institucionais durante o seu último dia de campanha para o primeiro turno das eleições de 2026. Em um evento de grande apelo popular realizado no interior de São Paulo, o postulante ao Planalto declarou publicamente que o Supremo Tribunal Federal precisa urgentemente deixar de atuar como uma “delegacia de polícia”. A forte declaração repercutiu de maneira imediata nos bastidores políticos de Brasília e movimentou o cenário eleitoral a poucas horas da abertura das urnas.
Durante a passagem pela região de Americana, Flávio Bolsonaro argumentou que o poder político no Brasil encontra-se completamente desequilibrado. Sem citar nomes de forma individualizada, o candidato do PL acusou ministros da Suprema Corte de agirem como verdadeiros agentes políticos e assessores do atual governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, as decisões recentes da mais alta corte do país têm servido para tentar blindar e auxiliar o atual mandatário na disputa eleitoral, gerando um ambiente de profunda insegurança jurídica.

Um dos motes centrais explorados pela campanha de Flávio Bolsonaro durante a sabatina e os discursos de encerramento de campanha diz respeito à futura composição do próprio Supremo. Nos próximos quatro anos do próximo mandato presidencial, três atuais magistrados da Corte atingirão a idade limite estabelecida para a aposentadoria compulsória: Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Além dessas três cadeiras que ficarão vagas de forma natural, há também um posto que se encontra aberto devido à saída de Luís Roberto Barroso.
Diante desse cenário, o próximo chefe do Executivo federal terá a prerrogativa histórica de indicar até quatro novos ministros para compor o STF. Questionado sobre o perfil dos futuros indicados caso vença o pleito, Flávio Bolsonaro sinalizou que buscará nomes técnicos e equilibrados, assegurando que não haverá espaço para militantes ideológicos. O candidato prometeu selecionar profissionais altamente preparados, homens e mulheres comprometidos estritamente com o respeito à Constituição Federal e à segurança jurídica nacional.

Aproveitando o momento de contato direto com os eleitores, Flávio Bolsonaro reiterou sua defesa intransigente pelo fim do instituto da reeleição para cargos executivos no Brasil. O candidato destacou que abre mão voluntariamente de disputar um segundo mandato consecutivo, com o argumento de que pretende focar todas as suas energias e esforços em resolver os problemas estruturais do país em um único período de governo, sem as amarras e os cálculos eleitorais comuns à corrida pela recondução ao cargo.
A agenda do presidenciável neste sábado de véspera de eleição começou com uma expressiva motocarreata que conectou os municípios de Santa Bárbara d’Oeste e Americana, no interior paulista. O ato político contou com a presença de aliados de peso, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além dos candidatos ao Senado André do Prado e Guilherme Derrite. Durante o trajeto transmitido ao vivo pelas redes sociais, Flávio Bolsonaro celebrou a adesão popular e classificou a mobilização como um claro indicativo de vitória logo no primeiro turno.