
Moradores do Riacho Doce acusam Vivi Lira, candidata aliada de David Almeida, de calote em pagamento por trabalho de campanha eleitoral em Manaus.
A reta final da corrida eleitoral no Amazonas ganhou novos contornos de tensão na capital após denúncias graves vindas da periferia. Um grupo de moradores da comunidade Riacho Doce, localizada na zona norte de Manaus, procurou a imprensa para acusar publicamente a candidata a deputada estadual Vivi Lira (Avante) de calote e falta de pagamento por serviços prestados durante a campanha política. De acordo com as informações preliminares repassadas por meio de mensagens de cobrança e relatos detalhados, cerca de 50 trabalhadores e cabos eleitorais teriam sido diretamente prejudicados pela ausência da remuneração que havia sido combinada previamente com a coordenação local.
Segundo o material que chegou ao conhecimento público, o acordo inicial entre a equipe da candidata e os moradores envolvia a propagação e divulgação digital da imagem de Vivi Lira na internet. Com o avanço do calendário de rua, a demanda aumentou e os participantes passaram a receber pacotes de santinhos e materiais impressos para a realização de panfletagem e mobilização corpo a corpo no bairro. A denúncia aponta que um dos coordenadores de campanha prometeu o pagamento de um salário fixo aos envolvidos, com quitação prevista para o dia 30 de setembro, valor que acabou não sendo repassado conforme o combinado.

O descontentamento do grupo aumentou quando exigências extras foram adicionadas ao trabalho cotidiano de panfletagem. Além das publicações nas redes sociais e da distribuição de impressos, cada pessoa cadastrada na rede de apoio precisava cumprir uma meta rígida de preenchimento de formulários digitais, coletando dados pessoais sensíveis — incluindo números de CPF — de pelo menos 30 eleitores através de um link compartilhado em grupos de WhatsApp da campanha.
Relatos colhidos entre os denunciantes revelam situações extremas de engajamento forçado para o cumprimento de metas. Alguns moradores afirmaram que gastaram recursos financeiros próprios para acelerar o processo, desembolsando até R$ 300 reais do próprio bolso para pagar uma média de R$ 10 por cada cadastro coletado. O esquema de reuniões domiciliares também envolvia promessas de vantagens materiais, como a distribuição de cestas básicas e pequenas ajudas de custo em dinheiro para organizadores locais que disponibilizaram infraestrutura própria, a exemplo de caixas de som para comícios improvisados.
Nome político de Viviana Pinheiro Lira de Oliveira, Vivi Lira possui forte ligação institucional com a atual gestão municipal de Manaus. Aos 41 anos, com histórico na comunicação digital, ela já disputou uma vaga na Câmara Municipal de Manaus e presidiu o Fundo Manaus Solidária durante a administração do prefeito David Almeida, gerindo projetos sociais voltados a famílias em extrema vulnerabilidade. Agora, busca uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) com bandeiras voltadas à assistência social e apoio a mães atípicas.
Especialistas em direito eleitoral alertam que o episódio exige uma apuração rigorosa para separar uma simples cobrança trabalhista de prestação de serviços de eventuais crimes eleitorais. Embora a contratação de cabos eleitorais seja lícita, a promessa difusa de benefícios materiais, como cestas básicas e repasses em dinheiro associados a cadastros de eleitores, pode atrair investigações sobre captação ilícita de sufrágio ou corrupção eleitoral, dependendo da comprovação de dolo para obtenção de votos. Até o momento, a assessoria de Vivi Lira e a coordenação de campanha não emitiram notas oficiais de esclarecimento sobre as acusações, deixando o caso em aberto enquanto órgãos de controle avaliam os desdobramentos na Justiça Eleitoral.