
Pilotos encontram e resgatam filhote de peixe-boi preso em poça de lama após forte seca em Parintins, no Amazonas. Veja os detalhes.
Os severos impactos da estiagem nos rios da região continuam mobilizando moradores e voluntários na proteção da fauna amazônica. Na última segunda-feira (5), um filhote de peixe-boi foi resgatado após ser encontrado debilitado em uma pequena poça de água na região conhecida como “Poção”, no entorno da ilha de Parintins, no interior do Amazonas. O animal vulnerável foi localizado por pilotos de motocross que realizavam uma trilha em uma área de lagos duramente atingida pela estiagem.
Segundo os participantes do resgate, o estado de saúde do filhote gerou forte preocupação, já que ele ficou preso em um trecho praticamente seco e sem conseguir sair por conta própria devido à redução do nível da água. Devido à falta de sinal de celular no local, os pilotos precisaram percorrer mais de cinco quilômetros até encontrarem cobertura para organizar o socorro e o transporte do mamífero.
Para conseguir retirar o animal da área isolada, o grupo contou com a ajuda do compositor Gaspar Medeiros, acionado pelos próprios pilotos, e improvisou uma piscina na carroceria de um veículo para realizar o transporte com segurança. A ação rápida evitou que o espécime perecesse frente ao avanço da seca na região de Parintins.
Atualmente, o filhote de peixe-boi está sob os cuidados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente de Parintins. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) também foi acionado e acompanha de perto a situação. A previsão técnica indica que o animal deverá ser transferido em breve para receber atendimento especializado em Manaus, permanecendo provisoriamente em reabilitação no município.
O episódio dramático reforça os alertas sobre os severos efeitos da estiagem prolongada sobre os ambientes aquáticos do Amazonas. A diminuição drástica do nível dos rios e lagos isola corpos d’água, limitando a circulação livre da fauna local e criando cenários de alto risco para mamíferos e peixes. Dados de monitoramento hidrológico já apontavam a continuidade da vazante na bacia, exigindo atenção redobrada com os animais afetados pela seca em todo o estado.